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Lagarta do Funil do Milho: Impactos e Implicações para África

26 Sep, 2017 – 10:08 am

Nota (2), Setembro 2017

Autores: Phil Abrahams; Melanie Bateman; Tim Beale; Victor Clottey; Matthew Cock; Yelitza Colmenarez; Natalia Corniani; Roger Day*; Regan Early^; Julien Godwin; Jose Gomez; Pablo Gonzalez Moreno; Sean T. Murphy; Birgitta Oppong-Mensah; Noah Phiri; Corin Pratt; Gareth Richards; Silvia Silvestri; Arne Witt

Sumário Executivo

Este relatório encomendado pelo Departamento Internacional de Desenvolvimento, indica que a ocorrência da lagarta do funil do milho em África tem o potencial de causar perdas no rendimento do milho entre 8.3 a 20.6 milhões de toneladas por ano, na ausência de qualquer método de controle, em apenas 12 países produtores de milho. Esta cifra representa um intervalo de 21%-53% da média anual de produção do milho em um período de três anos nestes países. O valor destas perdas estima-se em cerca de 2.48 a 6.18 milhões de dólares.

Evidencias indicam que esta doença vai se alastrar até ao limite do seu habitat em África nos próximos anos, incluindo o Norte de África e Madagáscar. Sugere-se que as autoridades nacionais tomem o mais urgente possível as seguintes medidas:

  • promover campanhas de consciencialização sobre a praga, sua identificação, nível de dano e métodos de controlo, em particular o IPM, para os produtores, extensionistas, inspectores de proteção de plantas e outros interessados;
  • em coordenação com a extensão e investigação, disseminar informação sobre práticas agronómicas e ou opções de maneio da praga;
  • em coordenação com os provedores de insumos, preparar e comunicar a lista de variedades disponíveis e recomendadas de pesticidas e bio pesticidas;
  • fornecer registo temporário ou de emergência para pesticidas bio pesticidas microbianos recomendados;
  • conduzir testes laboratoriais de pesticidas recomendados por laboratórios nacionais autorizados;
  • acompanhar regularmente as recomendações e publicitar amplamente, monitorando em simultâneo a população de lagarta resistente;
  • avaliar as culturas e variedades resistentes e ou tolerantes a praga;
  • considerar subsídios a curto prazo – por exemplo para reduzir os preços de produtos com menor risco de ataque

As conclusões deste relatório incluem um estudo aleatório dos impactos desta praga na cultura de milho e outras culturas na Zâmbia e no Gana. Concluiu-se que as condições ambientais dos locais de ocorrência desta praga nos países acima citados são muito próximas as condições ambientais da área nativa da praga nas Américas. Mapas de adequação ambiental foram produzidos para determinar as regiões propensas a invasão pela lagarta do funil do milho, e estas sobrepõem-se a zonas de produção de milho. O relatório detalhado e os anexos, apresentam a metodologia usada e as analises feitas.

Biologia, ecologia e comportamento da lagarta do funil do milho

Conhecido cientificamente como o Spodoptera frugiperda, a lagarta do funil do milho é uma praga polifagosa (ou seja capaz de se alimentar de muitos tipos de alimentos), indígena das Américas. Esta praga manteve se por muitos anos nas Américas, no entanto, actualmente ocorre em África, propagando-se rapidamente pelas regiões tropical e subtropical do continente. Reconhecido amplamente como uma das pragas mais prejudiciais das Américas, alimentando mais de 80 culturas diferentes. O seu impacto no rendimento do milho tem sido e provavelmente continuará a ser significativo. A pesquisa sugere que ambas as estirpes entraram na África como passageiros clandestinos em aeronaves comerciais (em contentores de carga, postos de avião) antes da dispersão disseminada pelo vento.

Propagação em África

Até ao momento da publicação deste documento em Setembro de 2017, 54 países Africanos foram monitorados.

O CABI examinou a situação actual em todos os países via Internet, literatura e contactos com os países
Dos países monitorados, 28 confirmaram a ocorrência da praga em seu território (comparado com apenas 12 confirmados em abril de 2017). Outros 9 países realizaram ou estão a conduzir pesquisas, e suspeitam fortemente de sua presença, alguns aguardando confirmação oficial. Dois países declararam estar afectados pela praga. Não foi possível ainda obter informação sobre ocorrência da lagarta do funil do milho nos restantes 15 países.

Devido as condições ambientais favoráveis, espera-se invasão da praga noutros países da África Ocidental, como a Serra Leoa, Mali, Senegal, Libéria e Costa do Marfim, que até ao presente momento não relataram oficialmente a ocorrência da mesma. Países como a República Centro-Africana, Sudão, Angola e Nigéria também correm o risco de sofrer maiores surtos de pragas, dada a sua exposição ambiental para a praga e pela proporção relativa de milho cultivada naqueles países. Madagáscar, que ainda não reportou também está em risco. Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia, também muito propensos ao ataque por esta praga pelas razões s acima descritas, poderão ser um veiculo de disseminação deste insecto para a Europa.  As áreas propensas da Etiópia poderão permitir a progressão desta para o Médio Oriente e Ásia.

O impacto económico da praga no rendimento do milho a nível nacional, continental, familiar e comercial.

O impacto desta praga foi estimado para 10 países maiores produtores do milho, extrapolando estimativas de proporção de perda de rendimento no Gana e Zâmbia, e combinando esta informação com dados publicados sobre produção nacional de milho entre outras informações. Foram considerados os seguintes países: Benim, Camarões, República Democrática do Congo, Etiópia, Malawi, Moçambique, Nigéria, Uganda, Tanzânia e Zimbabwe.

As estimativas indicam que, para estes países em conjunto, e na ausência de medidas de controlo adequado, o impacto da praga na produção continental de milho é de 8.3 a 20.6 milhões de toneladas por ano, de uma produção total esperada de 39 milhões de toneladas por ano e com as perdas situadas entre 2.48 a 6.18 milhões de dólares/ano por ano de um valor total esperado de 11.59 milhões por ano.

A nível do agregado familiar

A praga provavelmente vai afectar directamente os custos de capital, através do aumento do trabalho necessário e do tipo de conhecimento necessário para lidar com a praga; através de perdas de rendimento e da capacidade das terras agrícolas para responder a choques; e financeiramente, através do aumento do custo de produção devido aos custos de controlo (definidos como o custo da tecnologia e sua aplicação) e seu efeito na renda. Também afectará indirectamente o capital social e físico das famílias (os activos do agregado familiar).

Impactos no comércio

O comércio internacional traz o risco de introdução da praga em países ainda livres da epidemia. Assim, a ocorrência da praga em África cria um novo risco para os países que importam de países Africanos afectados, incluindo países do Norte da África, Ásia e Europa, embora o relatório se concentre na Europa, como um importante importador de produtos agro-alimentares da África.

No caso alguns produtos chegarem a Europa contendo a praga, este poderá ser recusado ou destruído, este processo acarreta custos, quando os produtos contaminados são interceptadas pelos países importadores. Assim, o país exportador deve introduzir medidas adicionais que reduzam esta problemática que também implica custos para o produtor e para a organização nacional de protecção de plantas.

Controlo

Embora exista muita de literatura sobre o controlo da praga nas Américas, os sistemas agrícolas, são muitas vezes diferentes dos da África.
O relatório examina o uso e o custo de pesticidas convencionais para o controle da praga. No seio das famílias, a decisão de usar ou não os pesticidas, dependerá do custo dos tratamentos, do tamanho da machamba e de vários outros factores. É necessário um estudo mais aprofundado nesta área. A abordagem de Gestão Integrada de Pragas (IPM) é altamente recomendada.  A dependência em métodos de controle únicos poderá, a longo prazo, tornar se insustentável ou ineficaz e, no pior dos casos, aumentar a probabilidade de resistência da praga.

Monitoria

A monitoria de saúde de uma cultura é importante quando se torna necessário tomar a decisão de intervenção. Na América Latina são usadas três abordagens para a monitoria, nomeadamente (i) Scouting; (ii) armadilhas de feromonas; (iii) armadilhas de luz. Consideram se ainda vários mecanismos de controle:

  • O controlo químico, ou aplicação de venenos as culturas
  • Microrganismos microbianos (por exemplo Beauvaria bassiana e Spodoptera frugiperda nucleopoliscópio múltiplo (SfMNPV)
  • Libertação em massa de microbianos que incluindo insectos predadores e vespas parasitárias (parasitoides)
  • O uso de culturas geneticamente modificadas que são resistentes a praga, contendo genes Bt
  • Caça em massa dos moths machos usando feromonas, impedindo-os de acasalar
  • Maneio integrado de pragas (IPM), numa combinação de métodos que minimizam o uso de pesticidas

A experiência Latina indica que é necessária uma abordagem IPM, na qual o uso de pesticidas é minimizado, os inimigos naturais são encorajados, as culturas monitoradas e uma ou mais intervenções são feitas quando necessário. A adopção de IPM deve ser encorajada através de incentivos e subsídios financeiros, prestação de serviços de consultoria agrícola e criação de um melhor ambiente político e regulatório.
Sumarizando, os principais objetivos do estudo, financiados pela UKaid do Departamento para o Desenvolvimento Internacional foram:

  • estimar o impacto da praga sobre o rendimento de milho e a perda de receitas a nível nacional, através de uma avaliação rápida da situação na Zâmbia e no Gana;
  • estimar estes impactos a nível continental, extrapolando dados sobre perda de rendimento, na Zâmbia e Gana;
  • estimar alguns aspectos do impacto a nível doméstico;
  • Compreender o impacto da praga no comércio em todo o continente

O trabalho da CABI faz parte de um programa mais amplo sobre a gestão de espécies invasivas (www.invasive-species.org/). O trabalho realizado no âmbito deste programa identificou que a gestão das invasões biológicas em todos os setores teria maior chance de melhorar os meios de subsistência rural. Contudo isso exige uma serie de intervenções processuais coordenadas, nomeadamente a:

  • Disponibilização de informação e dados
  • Facilitação de parcerias intersectoriais de modo que as partes interessadas possam reagir rapidamente as crises causadas por invasões biológicas
  • Capacitação a nível nacional e regional para divulgar, treinar e oferecer soluções de melhores práticas – particularmente abordagens IPM
  • Facilitar a adoção das melhores práticas, de modo que os planos de acção sejam desenvolvidos e validados para aumentar a produção local de uma melhor prática testada.

Leia as versões em Inglês aqui:

Fall Armyworm Evidence Note Sept17

FAW Evidence Note Summary 2017v


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